No sábado, 03/04/2010, depois de 3 dias em San Pedro de Atacama pegamos mais uma vez a estrada.
Decidimos viajar depois do almoço, pois havíamos visto em placas pela estrada que seriam apenas 300 km até Salta. Então pensamos que teríamos tempo suficiente.
Claro que seguindo o nosso ritual de viajantes sem mapa, ao sair do hotel perguntamos em que direção deveríamos seguir para Paso Jama, que segundo nos orientaram anteriormente era o melhor caminho.
Disseram-nos que ao sair deveríamos virar à direita, passar pela aduana e logo depois virar à esquerda e seguir direto. Lembro que pensei: que estranho, passar pela aduana ainda na cidade?
Não demorou muito e vimos uma placa indicando a aduana, mas como também havia um placa indicando que a fronteira da Argentina ficava a cerca de 160km e só vimos caminhões parados, achamos que era impossível ser aquela a aduana que teríamos que passar e resolvemos seguir em frente, sem ao menos confirmar o que achávamos.
Assim, nossa saída foi pura alegria. Ouvíamos música alta no carro, dávamos gargalhadas e até fizemos um vídeo para registrar aquele momento.
Neste clima descontraído, seguimos viagem e cerca de 2h depois chegamos à fronteira da Argentina e um pouco depois à aduana. Estacionamos o carro, pegamos os documentos e entramos tranquilas.
Passamos pelo primeiro agente que carimbou um formulário, pelo segundo que nos fez preencher um formulário e carimbou nossos passaporte, pelo terceiro que nem me lembro o que fez e pelo quarto, que nos perguntou se estávamos viajando de carro. Respondemos que sim. Então ele nos pediu os documentos do carro. Entreguei-os e eis que eles nos pergunta onde estava o formulário liberando o carro. Como assim? Perguntamos assustadas.
Então o agente nos explicou que na saída do Chile a aduana de lá deveria nos ter dado um formulário liberando o carro. Então percebemos a besteira que fizemos. É isso mesmo, nós passamos sem parar pela aduana do Chile e, pior, teríamos que voltar 160 km para consertar este erro.
Só que antes tivemos que voltar no segundo agente para que ele carimbasse a nossa saída da Argentina, o que nos garantiu a estadia internacional mais rápida que já tivemos.
Assim, voltamos até a aduana do Chile, mas na estrada, fomos paradas pela primeira vez pela polícia chilena (os carabineros). Entreguei os documentos, eles foram até o carro deles, conversaram entre si, retornaram, devolveram os documentos. Claro que disse que estávamos retornando porque não havíamos registrado nossa saída na aduana chilena. Eles deram um sorriso e disseram que isso era bastante comum.
Pelo menos esse momento foi tranquilo, pois como a grande maioria dos chilenos, aqueles policiais foram extremamente gentis.
Continuamos nossa viagem e ao chegar à aduana, carimbei a minha saída e fui resolver as burocracias para desembaraço do carro. Enquanto isso um impasse se passava com uma das integrantes do grupo, pois esta havia jogado fora o formulário amarelo de entrada no país, preenchido na chegada ao aeroporto em Santiago.
Resolvidas as burocracias para desembaraço do carro, as demais se encontraram comigo e disseram que depois de terem ouvido um discurso bem duro do agente, tiveram a saída de todas liberada.
Pegamos novamente a estrada em direção à Argentina e depois de termos rodado uns 30 a 40 km me lembrei que a agente da aduana em Paso Jama havia entregue os formulários de entrada no país. Para adiantar os trâmites, poderíamos preenchê-los, então os entreguei para as meninas.
Não demorou muito e a que jogou fora o tal formulário amarelo, viu que não havia sido carimbada no seu passaporte a sua saída do Chile. Passado o primeiro momento de incredulidade e depois de revistar folha por folha do passaporte dela, não nos restou outra alternativa a não ser voltar e resolver esta nova pendência.
Ao chegar, novamente, à aduana o agente estava papeando do lado de fora com um, outro colega. Explicamos o ocorrido e ele então carimbou a saída da minha amiga.
Claro que este episódio deu um certo gostinho de vingança às minhas amigas, afinal, segundo elas, aquele agente havia sido bastante rude com um discurso tipo:"é inconcebível você ter perdido o formulário amarelo". No entanto, não demorou muito e elas tiveram a oportunidade de que a incompetência dele fosse evidenciada e na frente de outra pessoa.
Mais uma vez pegamos a estrada, mas com tantas idas e vindas já se passava das 19 horas. Assim tivemos um impasse, pois duas de nós achavam que deveríamos voltar e nos hospedar em San Pedro de Atacama naquela noite, enquanto outras duas, incluindo eu, achavam que deveríamos seguir viagem.
Mais uma vez pegamos a estrada, mas com tantas idas e vindas já se passava das 19 horas. Assim tivemos um impasse, pois duas de nós achavam que deveríamos voltar e nos hospedar em San Pedro de Atacama naquela noite, enquanto outras duas, incluindo eu, achavam que deveríamos seguir viagem.
Depois de ponderarmos decidimos seguir viagem, mas no meio do caminho ainda paramos umas 2 vezes para tirar algumas pedras enormes que foram deixadas no meio da pista, pois temíamos que pudessem causar algum acidente e a alguns quilômetros antes da fronteira, fomos novamente paradas pelos carabineros.
Mas mais uma vez tivemos sorte, pois eram os mesmos policiais que havia nos parado antes e como já erámos conhecidas, nem precisamos mostrar os documentos.
Eles ainda nos perguntaram se havíamos encontrado um grupo de motoqueiros que estavam indo em direção à San Pedro de Atacama. Dissemos que sim, então eles disseram que aqueles motoqueiros tiveram o mesmo problema que nós, ou seja, tiveram que voltar à aduana chilena para registrar sua saída. Pelo menos nós não fomos as únicas a cometer este erro estúpido!
Então chegamos novamente à aduana argentina e mais uma vez tivemos que passar por toda a burocracia anterior. Até que uma das meninas resolveu pedir orientações para chegar à Salta, afinal já passava das 21h e não podíamos errar novamente.
Eles foram unânimes, não havia condições de seguirmos viagem. O melhor seria pernoitarmos por ali e seguir na manhã seguinte, pois a distância era muito maior do que imaginávamos ou mellhor, bem maior do que a informada nas placas que vimos na estrada. Sem contar que a estrada é bastante deserta e sinuosa.
Assim nossas opções eram: dormir em uma hospedaria em um posto de gasolina a poucos metros da aduana ou seguir até Susque que ficava a alguns quilômetros dali e nos hospedar lá.
Optamos por tentar uma vaga na hospedaria do posto de gasolina. Chegamos lá, entramos na loja de conveniência e pedimos informações. A atendente disse que havia um quarto, mas antes foi falar com um grupo de motoqueiros que estava lanchando. Quando voltou confirmou que havia um quarto triplo, mas que ela poderia colocar um colchão adicional.
Aceitamos e fomos lanchar, enquanto ela preparava o quarto. Quando chegamos no quarto vimos que ele era bem razoável, sem contar que estávamos pagando cada uma cerca de R$ 25,00 por aquela noite incluindo o café da manhã para 3. Uma teria que pagar o café da manhã a parte.
Pena que a atendente esqueceu de limpar o quarto depois que o último hóspede fez o check out. Ficamos com um pouco de nojo do banheiro, mas não tínhamos muita opção, não é?
Mas mesmo assim nos considerávamos com muita sorte, até o momento que percebemos que estávamos a 4.200 m de altitudes e vimos que poderíamos, novamente, ter problemas, principalmente eu e a minha amiga, que não nos adaptamos bem à altitude.
Realmente aquela noite foi horrível. Eu, por exemplo, tive taquicardia a noite toda e não consegui dormir direito. Apenas dei alguns cochilos rápidos e bastante agitados.
Sem contar que estávamos com medo. Sendo esta, a única noite que dormimos com um canivete do lado do travesseiro. Apesar de não ter certeza que teríamos coragem de usá-lo se fosse necessário.
Na manhã seguinte, acordamos por volta das 6h. Pedi pelo amor a Deus que partíssemos o quanto antes, pois para resolver o problema de altitude, basta descer.
Assim, nos arrumamos, tomamos um café e às 7h da manhã, com os primeiros raios de sol já estávamos pegando a estrada, dando fim àquele trecho que consideramos a maior saga da viagem.
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