A viagem ao Chile e Argentina em 2010, sem dúvida, não foi a mais bem planejada que fiz, mas nós conseguimos desfazer o pouco que planejamos.
Tudo começou no vôo sobre a Cordilheira. dos Andes Era por volta de meia-noite e a lua estava quase cheia, o que nos permitia ter uma visão dos picos. Aí, eu me lembrei que havia lido em algum lugar que era imperdível ver o Valle de la Luna sob a lua cheia e comentei isso com uma das amigas do grupo, o que nos despertou a vontade de ter essa visão.
Para completar, ao chegar no aeroporto de Santiago, nos sentimos mais tranquilas, pois eram poucos os vestígios do terremoto. Apenas parte do terminal de desembarque estava improvisado.
Tomamos um táxi até o bairro Providencia, onde nos hospedamos e no caminho não vimos qualquer sinal da tragédia.
Dormimos aquela noite tranquilas e na manhã seguinte já estávamos dispostas a explorar outros rumos. Assim, no café da manhã a pauta do dia foi rediscutir o nosso roteiro.
Compartilhamos com as demais nosso interesse em ver a lua cheia no Vale de la Luna e não foi difícil decidir pela mudança do roteiro para que pudéssemos chegar a tempo em San Pedro de Atacama.
No entanto, como ainda tínhamos que alugar o carro e sacar dinheiro resolvemos começar imediatamente a resolver estas pendências.
Passamos na locadora e alugamos o carro, passamos em um supermercado e compramos água e alguns quitutes para a viagem e fomos procurar um Citibank para sacar pesos chilenos para nossa viagem, já que havíamos levado apenas o suficiente para aquele final de semana.
Aí surgiu o primeiro problema. Apesar de eu ter solicitado na minha agência que liberasse um limite diário equivalente a R$ 3.000,00 só conseguimos sacar 50.000 pesos chilenos, o que equivale a cerca de R$ 200,00. E o pior, grande parte do dinheiro do grupo estava depositado na minha conta corrente.
Tentamos não nos abalar e resolvemos sair em busca de um mapa, afinal como nosso roteiro era um pouco diferente só havíamos impresso os trechos planejados, o que excluía, totalmente a Rota 5 entre Santiago e o norte do Chile.
E aí mais um problema a enfrentar, pois não conseguimos comprar um mapa das rotas ou obter qualquer um junto à SERNATUR (Serviço Nacional de Turismo), já que o escritório em Providência estava fechado.
Mas como não desistimos fácil, resolvemos fazer um lanche e pegar a estrada seguindo as placas e as orientações que conseguíssemos pelo caminho.
E assim fizemos, seguimos as indicações para o norte e chegamos à Rota 5, mas não tínhamos certeza se estávamos no caminho certo, pois me lembrava de haver lido que seguiríamos para aquela direção pela Panamericana e não encontramos no caminho qualquer referência a esta.
A rota 5 é bem conservada e com vários pedágios, mas as cidades indicadas nas placas são aquelas que encontraremos nos próximos quilômetros. Assim, não conseguíamos identificar se seguíamos em direção à Antofagasta e Calama que sabíamos eram próximas ao nosso destino.
Paramos em alguns postos de gasolina e em Los Villos para tentar comprar um mapa, mas não obtivemos sucesso. Então nos restou contar com a sorte e as orientações que conseguíamos nos pedágios, onde sempre nos mandavam seguir direto.
A propósito, calculamos a partir da quilometragem indicada nas placas na estrada que deveríamos dormir em Los Villos, mas ao chegar naquela vila ficamos com medo. Além dela se encontrar à margem do Oceano Pacífico vimos uma placa que indicava um rota de fuga de um tsunami o que aflorou ainda mais o nosso medo de passar uma noite ali.
Então resolvemos seguir viagem e aí quebramos mais uma das premissas de nosso planejamento: Não viajar durante à noite.
Estávamos no meio do nada e as placas indicavam que a próxima cidade era Ovalle, na qual só conseguimos chegar por volta de 21h.
E viajar à noite foi algo que se repetiu muitas vezes, pois dos 9 trechos que fizemos ao longo da viagem, creio que em apenas 2 conseguimos chegar ao destino antes que escurecesse.
Tivemos que conviver durante todo o período com alguns incovenientes. Por exemplo, só conseguimos encontrar um mapa com as rotas no Chile em um posto de gasolina próximo à Antofagasta, mas aí já nos sentíamos confiantes o bastante para não comprá-lo, afinal aquele já era o nosso 3° dia na estrada e tínhamos conseguido chegar até ali sem um e melhor, estávamos a poucos quilômetros do nosso destino e sabíamos disso.
Um outro problema que não conseguimos solucionar foi o limite de saque no Citibank, tanto no Chile quanto na Argentina este foi sempre de cerca de R$ 200,00 diários. Até tentei ligar para minha agência no Brasil e nada foi solucionado. Somente depois de retornamos foi esclarecido que houve um erro do banco e eles não haviam liberado o que foi solicitado.
Seria imprudente da minha parte sugerir a qualquer um que seguisse o nosso exemplo, mas a verdade é que tivemos muita sorte. Mesmo com os contratempos que ocorreram, nossa viagem foi bastante tranquila, o que nos fez ter certeza que tivemos um pouco de ajuda divina.
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